Despedida

Bob embaixo da árvore de Natal
Árvore de Natal e Bob - em torno de 2 anos

Por 16 anos você esteve aqui. Foram 16 anos de muitas histórias, muito aprendizado e muitas amizades feitas por você. Você foi meu primeiro cão. Primeiro cão que ensinei, primeiro cão que dei banho, primeiro cão que levei para dar vacina. Você foi o primeiro em tudo.

Você cresceu comigo. Chegou em casa quando eu tinha apenas 9 anos. Acompanhou meu primário, ginásio, colégio, cursinho, faculdade e a segunda faculdade. Conheceu amigos, namorados, viajou com a gente. Esteve presente em diversos momentos importantes da minha vida. E sempre te agradecerei por estar lá. Você estava lá quando soube que passei na faculdade e também estava ao meu lado quando terminei com o primeiro namorado. Você sempre esteve lá, sempre ao lado de sua família.

Bob e alguns de seus brinquedos - em torno de 3 anos

Você foi um super companheiro. Um cão que todos adorariam ter. Aliás, foi graças a você que muitos conhecidos acabaram por adquirir cães também. Você fez escola aqui no prédio. Todos te elogiavam quando íamos passear. Você sabia o portão dos cães amigos, daqueles bravos e daqueles que você apenas queria provocar. E como adorava os passeios, vivíamos fazendo caminhos diferentes. Assim nem eu nem você enjoava dos passeios. Mesmo quando começou a adoecer e as pernas começaram por faltar, tinha que ter seu passeio. As pessoas olhavam estranho para nós, você, em seu carrinho, era uma cena diferente para todos.

Mas logo os passeios começaram a se tornar muito cansativos e eles deixaram de existir. A doença foi progredindo, atacando órgãos e no final não havia mais nada que pudéssemos fazer, a não ser não te deixar sofrer mais. E isso se tornou a decisão mais difícil que pudemos tomar. Como doeu acordar no meio da noite com você gritando em dor. Como doeu te levar para o hospital veterinário, sem você ter idéia do que te esperava. Como doeu permitir que a veterinária fizesse isso com você.

Buraco que o Bob fez em sua primeira visita à praia - 4 meses

Mas eu te prometi que ia parar de doer e logo parou de doer. Logo não havia mais dor nenhuma em você. Só em mim. Mas não se preocupe, essa dor vai melhorar com o tempo. Você fez tudo que podia fazer por nós e nós tentamos fazer tudo que podíamos para você.

Obrigada por ser o melhor cão que uma criança, adolescente e adulta poderia ter. Nunca conseguiria ter um cão melhor que você. Descanse em paz, Bob.

Bob
31/10/1993 – 19/04/2010

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Autor: Fernanda

Zootecnista e Cientista da Computação. Precisa dizer algo mais, além de ter certeza que não deve ser normal?

8 comentários em “Despedida”

  1. Lindo texto, Fe. Deve ser a coisa mais horrível do mundo tomar a decisao de sacrificar, e depois ver-se separado do seu amigao… como te disse, acho que nessas horas nao existem palavras para consolar. Só posso te dizer que fique tranquila, que vocês viveram plenamente, e ele foi muito feliz com vocês. Um abraço!

    1. Alê,

      Você já conviveu com a decisão de sacrificar o não e sabe como é difícil isso. Sinto o maior orgulho de você, que apesar de todas as adversidades do Pancho, de ter lutado por ele e agora ele está devolvendo tudo isso em dobro.

      O Bob pode ter sido muito feliz aqui, mas a gente teve uma vida muito mais feliz com a presença dele. Um cão alegra o ambiente e ele fazia isso com primor!

      Beijos

  2. Feeee, que linda homenagem.
    Com certeza deve ser uma dor muito grande, depois de tantas coisas que passaram juntos, mas tenha certeza que tomou a decisão certa, se foi o que seu coração mandou, tava certo, apesar de não querer ir e lutar para ficar, ele estava sofrendo, e o sofrimento não é merecido por ngm, com certeza agora está muito melhor. Parabéns por toda dedicação e carinho que teve por ele todo esse tempo e principalmente qdo ele mais precisou.

    Bjs

    1. Mel,

      É uma dor grande sim, mas que estou tentando contornar na medida do possível. Mas ainda existem aqueles momentos que me pego olhando para o local dele e até procurando ouvir os remungos dele pedindo para ir caminhar. E é nessas horas que o coração fica apertado.

      Preciso dar um pouco mais de tempo, ainda é tudo recente. Mas o fato de realmente termos feito tudo por ele me conforta um pouco. E tira um pouco aquele peso dos ombros de tê-lo sacrificado.

      Beijão.

    1. Obrigada Gabriela.

      Infelizmente nossos cães vivem bem menos tempo que nós e invariavelmente em algum momento da vida todos nós passamos por isso. Hoje já dói menos, mas a saudade é imensa.

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