Colchão de segurança

Todo livro de finanças pessoais aborda o tema colchão de segurança. O colchão em questão não é aquele colchão que você tem no seu quarto, onde deitamos todos os dias depois de um dia de serviço. O colchão de segurança é aquele dinheiro que você guarda para eventuais emergências, como problema de saúde, perda de emprego ou um problema de última hora. Ele pode e deve ser investido em algum tipo de investimento seguro (poupança, CDB) e que você consiga fazê-lo virar dinheiro rapidamente. Outros tipos de investimentos (Tesouro direto, ações) não são boas recomendações para colchão de segurança pois ou não possuem alta liquidez ou então pode haver perda de dinheiro quando for necessário utilizá-lo, principalmente no caso de ações. Pode-se até deixar na própria conta corrente (tem hífen?), mas acredito que as pessoas ficariam mais tentadas para gastar.

Não existe um valor fixo a ser reservado para isso. Existem livros que sugerem que você guarde o equivalente ao valor de 3 meses de gastos, outro sugerem 6 meses. Já vi até casos de 1 ano. Ou seja, se você gasta R$1000,00 ao mês, deve ter pelo menos R$3000,00 guardado, caso o tempo escolhido seja de 3 meses. Ou R$6000,00 no caso de 6 meses.

Confesso que eu nunca havia levado a sério esse negócio de colchão de segurança, mesmo fazendo depósitos mensais na poupança. Sempre é bom ter um dinheiro a mão, mas nunca pensei se tenho o valor de 3 ou 6 meses de gastos guardados na poupança. Vou depositando, afinal perdido não é. Os juros, mesmo sendo baixos, existem.

Eu nunca tinha percebido a importância do colchão de segurança até ter meu carro arrombado e ter o rádio e mais alguns objetos pessoais roubados meses atrás. Aliás, a experiência de andar com um carro com a porta entortada e cheia de sangue na Marginal Pinheiros numa sexta-feira as 18 hrs é única. Ver as expressões das pessoas ao ver a porta também foi outra experiência inesquecível.

Enfim, era necessário arrumar o carro. E lá vamos nós para o funileiro. Além de arrumar a porta, a troca do painel se fez necessária. O FDP ladrão estourou todo o painel e precisava trocar a peça inteira. Como era de plástico, achei que não seria tão caro. Que ingenuidade a minha. Foi quase R$600,00 só o painel, fora a porta que era necessário desentortar.

No final, todo o conserto saiu mais que meu salário mensal. Em vez de me desesperar, entrar no cheque especial, estourar limite do cartão ou pedir empréstimo, utilizei o dinheiro do colchão de segurança. Consegui até um desconto no valor conserto.

Agora estou na época de repor o dinheiro retirado do colchão de segurança. Aliás, repor o dinheiro utilizado é um item super importante. O dinheiro está lá em casos de necessidades, mas depois é necessário repor. Se só retirar e nunca repor, um dia não haverá mais colchão de segurança né.

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