Descobrindo sobre mim mesma

Faz tanto tempo que não escrevo, mas tanto tempo, que até tinha esquecido que eu tinha dois blogs. Eu sempre lembrei desse, que foi o primeiro (acho) que eu fiz e que levei a sério (!) por um tempo. O outro durou nem dois meses e ainda possui post repetido com esse.

Fiquei tentando lembrar o que passava pela minha cabeça quando fiz o primeiro e o segundo blog. Até hoje gosto do nome desse, tem um certo ar de mistério. rs. Já o outro, não me apetece tanto assim hoje.Poderia migrar os posts de lá para cá, mas não vejo necessidade e também não teria nenhum impacto para esse blog.

Ainda não sei se vou voltar a escrever com  frequência. Se os temas (filme, livros e músicas) dos últimos posts serão os que continuarão a ser preponderantes, também é um mistério. Pelo menos essa preferência ainda não mudou. Ainda incluiria podcasts na lista, que sempre que eu posso, escuto. Até mais que música.

Vamos ver no que vai dar.

Volta para 2007

Esse fim de semana foi como se eu estivesse em 2007. Quase como se estivesse em Botucatu com a turma da faculdade. E posso afirmar que passados cinco anos, o pessoal não mudou. Amizade verdadeira realmente não tem tempo que acabe. Alguns eu consegui reencontrar nesse ínterim, mas teve gente que realmente eu não tive mais contato. Foi só por Facebook e olha lá. Para quem não sabe eu fiz duas faculdades: Zootecnia e Ciência da Computação. E antes que me perguntem: eu não me arrependo de ter feito Zootecnia. Eu aprendi muito, muito mesmo. Seja pelo lado acadêmico, quanto pessoalmente falando. Lá tive aprendizados que levarei para o resto da vida. E amigos, amigos verdadeiros.

Foram cinco anos de convívio com pessoas que se tornaram a minha família. Que eram a minha companhia, afinal ninguém tinha pai, mãe, amigos ou namorado por perto. Apesar de ótimos cinco anos, terminei a faculdade e voltei para São Paulo. Deixei para trás um mestrado, mas não me arrependo da minha decisão. Cinco anos se passaram, muita coisa mudou. Mas percebi que nada mudou também. O que éramos há cinco anos atrás, ainda é. E na madrugada de sábado, a beira da praia, surgiu um papo filosófico de construir uma cápsula do tempo para ser aberta daqui a vinte anos. Onde estaremos daqui a vinte anos, quais conquistas, fracassos teremos enfretados até lá.

Apesar de estar com sono no momento, a conversa me marcou. Em entrevistas de emprego é comum perguntarem onde a pessoa se enxerga daqui a três ou cinco anos. Em cinco anos muita coisa pode mudar, assim como já mudou nos meus últimos cinco anos. Voltei para São Paulo, comecei uma nova faculdade, trabalhei com algumas linguagens de programação (Progress, Cobol, Assembler) e agora estou numa multinacional. Se me falassem no dia da formatura da Zootecnia, acho que não acreditaria onde estaria hoje.

E agora fico pensando como será o mundo em 2032, quais passos que terei dado até lá, o que terei feito, o que terei me arrependido. Quem sabe eu faça uma listinha para ser relida em 2032. Apesar da correria do dia a dia impeça encontros mais frequentes, espero que um novo reencontro não demore novamente cinco anos para ocorrer novamente.

Fuga do campo 14

Tenso. Muito tenso. Essa é a melhor definição durante toda a leitura desse livro. Não é possível ler esse livro sem ficar tenso. Um trecho do livro reflete bem os sentimentos que tive durante a leitura:

“Naquela noite, seus ouvintes contorceram-se em seus bancos, os semblantes revelando desconforto, asco, raiva e choque

Ps: Tentei ao máximo não contar detalhes da história, mas para pessoas mais sensíveis pode conter spoilers.

O livro relata a história de Shin In Geun, uma pessoa que fugiu do Campo 14, campo de concentração, da Coréia do Norte. O campo 14 é mais mais um dos diversos campos de concentração existentes na Coréia do Norte para inimigos políticos e com reputação de ser o mais duro de todos devido as condições de trabalho brutais. Já foi mapeada a existência de pelo menos seis campos, sendo que o maior deles possui uma extensão maior que a cidade de Los Angeles.

Muitos desses campos estão os prisioneiros chamados de irredimíveis, onde são forçados a trabalhar até a morte. O campo do livro em questão, Campo 14, é um deles e abriga cerca de 15 mil prisioneiros. Sendo que muitos deles nasceram lá e desconhecem o mundo exterior. E  muitos morrerão lá dentro também.

Shin é um desses prisioneiros. Nascido e criado no Campo 14. Seu crime é ter o sangue maculado pelos supostos crimes cometidos pelo irmão do seu pai. Não é necessário ter uma acusação, julgamento ou recurso. E tudo ocorre em sigilo. Pela regras do país é necessário punir pelo menos 3 gerações dos culpados para poder limpar o sangue.

As regras nesses locais é totalmente diferente do que temos conhecimento. Não existe relações familiares. Para Shin, sua mãe é alguém que competia pela comida. Seu pai é uma pessoa estranha e ele mal conhecia o próprio irmão. Não tinha amigos nem pessoas em quem confiar. Sem palavras de afeto ou demonstrações de carinho. Sem felicidade. Sem sonhos.

Um país cujo slogan “Vamos fazer duas refeições por dia” para aqueles que possuem liberdade, é possível imaginar como é a vida desses prisioneiros políticos. Ou melhor, não é. Relatos de pessoas mortas devido ao “roubo” de 5 grãos de milho a pauladas é considerado comum nesses campos. Pessoas morrendo de fome, crianças torturadas, forçadas a trabalho árduo. Pessoas sendo tratadas piores que animais. Estima-se que duzentos mil prisioneiros vivendo dessa maneira.

Shin fugiu em janeiro de 2005. Antes disso nenhuma pessoa nascida em campo de prisioneiro político da Coréia do Norte havia conseguido fugir. E pelo que se sabe, ele continua a ser o único. Tinha 23 anos e nenhuma pessoa conhecida no mundo exterior. Diversos fatores contribuíram para que ele tivesse sucesso nessa empreitada. Mas pela sua história, pode-se dizer que sorte não é uma delas.

As dificuldades não acabaram quando ele conseguiu fugir do Campo 14. Era necessário fugir do país para não correr o risco de ser levado de volta. E então se adaptar ao mundo exterior, tão diferente mundo que vivia. Conviver com outras pessoas, confiar, tantos outros conceitos e emoções que lhe eram proibidas. Lidar com o passado, as emoções, os sonhos, os pesadelos. Para Shin, ainda não acabou.

Um meio ou uma desculpa

Pessoas sempre querem conseguir as coisas da maneira mais fácil possível. O sonho de muitos é trabalhar pouco ou quase nada, mas ganhar muito. Mas conseguir isso é difícil e certamente a pessoa não atingiu seu objetivo trabalhando das 8 as 17 hrs em dias úteis somente. E muito menos sendo empreendedor e construindo seu próprio negócio. Tenho um exemplo em casa e posso garantir que não é fácil ser empreender/empresário. Você trabalha muito mais e não tem garantia de quanto receberá no fim do mês.
E por coincidência li um treco de um texto do Roberto Shinyashiki que exemplifica bem isso.

Um Meio ou Uma Desculpapor Roberto Shinyashiki
“Não conheço ninguém que conseguiu realizar um sonho sem sacrificar feriados e domingos pelo menos uma centena de vezes. O sucesso é construído a noite! Durante o dia você faz o que todos fazem. Mas para obter um resultado diferente da maioria, você tem que ser especial. Se fizer igual a todo mundo, obterá os mesmos resultados. Não se compare à maioria, pois infelizmente ela não é modelo de sucesso. Se você quer atingir uma meta especial, terá que estudar no horário em que os outros estão tomando chopp com batatas fritas. Terá de planejar enquanto os outros tomam sol à beira da piscina. A realização de um sonho depende de dedicação. Há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica, mas toda mágica é ilusão, e a ilusão não tira ninguém de onde está, em verdade a ilusão é combustível dos perdedores… Pois quem quer fazer alguma coisa, encontra um meio. Quem não quer fazer nada, encontra uma desculpa.”

E o mais interessante é que isso se encaixa nas mais diversas áreas e não somente para a área profissional. Encontrar um meio é o caminho para o sucesso. Vamos todos encontrar esse caminho.